A três dias da eleição, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) cancelou a transmissão ao vivo que o senador costuma fazer às quintas-feiras. A equipe justificou a ausência pelo aniversário da esposa, Fernanda Bolsonaro, e não divulgou comunicado prévio à imprensa sobre o desmarque. Nas redes, o casal trocou mensagens públicas comemorando a data.

O cancelamento acontece em um dia marcado por movimentações políticas sensíveis: a assinatura de um acordo entre Flávio e o presidente Lula para abertura mútua de sigilos bancários, fiscais e telefônicos — medida discutida desde o debate da Band — e a pesquisa Datafolha que registrou empate técnico entre os dois na parcela de votos válidos. O contexto elevou o clima de confronto entre as campanhas.

No horário em que estava prevista a live do senador, Lula fez transmissão ao lado do deputado André Janones, operador do principal canal de mobilização digital petista, com mais de 8,6 milhões de apoiadores no WhatsApp. A ausência de Flávio nessa janela virtual privou a campanha de uma resposta pública imediata à ofensiva adversária e à narrativa sobre os sigilos, justamente quando o empate sinaliza fragilidade na margem de erro.

Além disso, o senador terá um debate na Globo nos próximos dias, com regra nova que limita encenações de provocação após incidentes ocorridos no debate da Band. Para a campanha, a desmarcação sem explicação ampla agrava a necessidade de controlar a agenda e a mensagem — sobretudo num período em que cada presença pública pode pesar na percepção de firmeza ou esquiva diante do eleitorado.