Em almoço com o Grupo Voto, organização de mulheres empresárias, no hotel Palácio Tangará, o senador Flávio Bolsonaro transformou a classe política em mote central da sua pré-campanha. Ao reagir à decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, ele afirmou que a postura do presidente Lula o aproxima de um papel de liderança das facções — termo usado pelo senador para reforçar a necessidade de uma resposta dura do Estado.
O discurso de Flávio privilegiou segurança e economia: atribuiu a sensação de insegurança a políticas petistas de "desencarceramento" e defendeu mudanças no cumprimento de sentenças para manter presos autores de crimes violentos por mais tempo. Prometeu também adiar em ao menos um ano a vigência da reforma tributária prevista para 2027 e incluir a privatização dos Correios no seu programa, sem, porém, indicar nomes para o Ministério da Fazenda.
A fala ocorre em meio a reação oficial contrária à medida americana, que o governo diz poder abrir brechas para ações externas e comprometer a soberania. Lula respondeu criticando a viagem do senador a Washington, onde Flávio se reuniu com líderes norte-americanos antes do anúncio. No evento, o pré-candidato evitou atender a imprensa e não comentou a retirada do ar de uma pesquisa Atlas/Bloomberg determinada pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, nem o caso Master, temas que poderiam constranger sua candidatura.
Editorialmente, a estratégia traz riscos e sinais claros: ao elevar o tom sobre segurança, Flávio busca recuperar eleitorado sensível à sensação de ordem, mas a comparação direta com facções e a seletividade do foco — sem referência às milícias, por exemplo — podem ampliar a polarização e limitar o apelo a eleitores moderados. O silêncio sobre investigações e a recusa em esclarecer pesquisas recentes reforçam uma imagem de campanha que privilegia a confrontação e evita temas incômodos, o que tende a complicar sua narrativa em direção a 2026.