O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que a guerra no Oriente Médio terá efeitos variados entre os países da América Latina, mas que um ponto será comum: alta da inflação. Em relatório divulgado na sexta-feira (17), a instituição associa o choque a mudanças nas condições financeiras globais, fluxos de capital e à volatilidade dos preços das commodities.
Na leitura do fundo, produtores de petróleo da região devem se beneficiar dos preços mais altos de energia. O relatório cita, entre outros, países como Brasil, Colômbia, Venezuela e Equador, cuja posição como exportadores vem fortalecendo balanços de pagamentos e sustentando receitas fiscais no curto prazo.
Mesmo assim, o FMI faz um alerta: ganhos macroeconômicos não se traduzem automaticamente em proteção para os mais vulneráveis. O aumento do preço de combustíveis e alimentos tende a pressionar custos domésticos e a corroer renda real. A instituição recomenda preservar redes de proteção bem direcionadas e resistir à tentação de retomar subsídios generalizados.
O documento destaca ainda riscos específicos para o Caribe e a América Central, regiões fortemente dependentes do turismo e com elevada dívida pública. Com espaço fiscal reduzido e dependência de importações de energia, esses países ficam mais expostos ao aumento do custo de financiamento e à menor disposição dos investidores em assumir risco.
Do ponto de vista político e fiscal, o cenário complica escolhas dos governos: há pressão por respostas imediatas para conter o repique dos preços, mas o FMI reforça que a alternativa correta é priorizar apoio a famílias vulneráveis e setores afetados, preservando avanços que substituíram subsídios por programas sociais. O impacto final dependerá, contudo, da duração e da intensidade do conflito.