O Fundo Monetário Internacional e o Grupo Banco Mundial anunciaram nesta quinta-feira a retomada das relações institucionais com a Venezuela. A decisão do FMI foi tomada após consulta entre seus membros que considerou Delcy Rodríguez como a dirigente legítima do país; o Banco Mundial disse que seguiria o resultado do processo.
O reconhecimento facilita que o FMI volte a coletar estatísticas oficiais e abre a possibilidade de negociações para apoio financeiro caso o governo venezuelano solicite. Em comunicado, a liderança venezuelana saudou a normalização dos processos que envolvem os direitos do país nas instituições multilaterais.
As relações com Caracas estavam interrompidas desde março de 2019, quando o FMI passou a reconhecer a oposição que controlava a Assembleia Constituinte como interlocutora legítima. O anúncio ocorreu durante as reuniões de primavera em Washington, onde fontes citam pedido dos Estados Unidos por maior engajamento e uma recente flexibilização de sanções sobre o Banco Central venezuelano.
Do ponto de vista político e econômico, a reaproximação tem efeitos ambíguos: por um lado, pode permitir transparência e acesso a instrumentos técnicos e financeiros; por outro, acende alerta sobre a possibilidade de normalização sem garantias claras de condicionalidade, supervisão e respeito a padrões de governança. A mudança reforça que a agenda internacional sobre Caracas caminha para pragmatismo, ao mesmo tempo em que complica a narrativa de isolacionismo usada por opositores.