A pesquisa semanal Focus, compilada pelo Banco Central, elevou a expectativa para o IPCA de 2026 para 4,71% — ante 4,36% na semana anterior —, marcando a quinta alta consecutiva e a primeira vez que a projeção ultrapassa o teto da meta de 4,5% (meta central de 3%, com banda de tolerância). Analistas ligam a escalada ao impacto do conflito envolvendo o Irã e à elevação do preço do petróleo, que pressiona custos de energia e transporte.

O levantamento, encerrado na sexta-feira, também manteve inalteradas as projeções para a Selic ao fim de 2026 (12,5%) e 2027 (10,5%), enquanto o mercado segue esperando um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de abril, ante a taxa corrente de 14,75%. As estimativas para o PIB de 2026 e 2027 permaneceram em 1,85% e 1,80%, respectivamente, e a cotação do dólar projetada para o fim dos anos foi ligeiramente revisada para baixo.

A elevação contínua das expectativas inflacionárias representa um sinal de risco para a agenda econômica. O avanço do IPCA acima do limite de tolerância aumenta o desafio do Banco Central para calibrar o ciclo de juros sem sufocar a atividade, e impõe custo político ao governo caso a pressão inflacionária corroa renda e consumo. Repasses de energia e combustíveis tendem a comprometer a previsão de inflação de núcleo e prolongar a necessidade de políticas mais rígidas.

O Focus é um retrato das expectativas do mercado, não uma previsão definitiva, mas a sequência de altas em maio altera o mapa de riscos. A manutenção das projeções para juros e PIB indica que os analistas ainda trabalham com um cenário de acomodação parcial, mas a evolução do conflito no Oriente Médio e das cotações do petróleo será monitorada de perto por agentes, empresas e formuladores de política econômica.