A Folha inicia nesta quarta-feira (22) o ciclo de formação 'Crime Organizado e Mercados Ilícitos', oferecido internamente à Redação em parceria com a Esem (Escola de Segurança Multidimensional) da USP. O programa tem 11 aulas até o fim de maio e promete fornecer ferramentas para investigações sobre organizações criminosas, controle de território e crime financeiro.

A coordenação ficou a cargo do promotor Fábio Bechara, doutor em direito processual penal com passagem pelo Gaeco e atuação atual no Departamento de Criminalidade Organizada Transnacional da OEA, em Washington. A programação reúne professores e especialistas do setor público, da academia e da comunicação, incluindo nomes como Michael Miklaucic, Leandro Piquet Carneiro e outros profissionais mencionados pela organização.

A novidade que mais chama atenção é o apoio financeiro da Philip Morris do Brasil, já parceira da Folha em outras iniciativas de treinamento. Embora o patrocínio não comprometa, por si só, a validade técnica da formação, a presença de uma empresa do setor do tabaco suscita questionamentos legítimos sobre percepção de independência e riscos reputacionais para um veículo que se define fiscalizador do poder público.

Especialistas e lideranças de redação costumam defender que iniciativas de capacitação são essenciais para aprimorar a cobertura de temas complexos. Ainda assim, a combinação entre conteúdo sensível e patrocínio corporativo exige transparência clara sobre regras de convivência, limites editoriais e eventual blindagem para evitar influência — medidas necessárias para preservar credibilidade e confiança do público.