Pesquisadores identificaram em Renaico, na região de La Araucanía, restos fossilizados — entre eles um molar, incisivos e fragmentos de fêmur e pelve — que atribuem a um ancestral das capivaras do gênero Phugatherium. O material foi revelado durante escavações realizadas pela consultoria paleontológica Therium para a implantação de um parque eólico, e datado em cerca de 4,5 milhões de anos.

O achado tem significado duplo: constitui a primeira evidência anatômica direta da presença de capivaras no Chile e representa o primeiro registro de mamíferos continentais do período neogênico na Depressão Central chilena. A confirmação amplia para o oeste da cordilheira dos Andes a distribuição conhecida desse grupo extinto, obrigando a revisão de mapas paleobiogeográficos da América do Sul para o Neógeno.

Os fósseis também apontam para diferenças importantes em relação à espécie atual. Estudos citados pelos autores indicam que essas 'capivaras gigantes' podiam atingir até dois metros de comprimento e cerca de 300 quilos, dimensão próxima à de uma anta moderna. Junto a restos de um litopterno herbívoro, o conjunto sugere que a paisagem local combinava áreas alagadas e ambientes abertos, bem distinto do uso atual do solo na região.

Além do valor descritivo, a descoberta ilustra como obras de infraestrutura podem revelar informações relevantes sobre história natural e mudanças ambientais profundas. Os materiais agora estudados devem ajudar a reconstruir condições ecológicas do Neógeno no Chile central e a entender melhor rotas de dispersão e isolamento entre as faunas do leste e do oeste andino.