Gestores alternativos ampliaram de forma expressiva sua presença no mercado de seguros patrimoniais: as aplicações em títulos de catástrofe e outros papéis vinculados a seguros cresceram 18% em 2025, alcançando o recorde de US$ 136 bilhões (R$ 683 bilhões), segundo levantamento da corretora Aon citado à Bloomberg. O aporte marca uma mudança estrutural num setor tradicionalmente dominado por resseguradoras com quase dois séculos de história.

O mecanismo de transferência de risco para os mercados de capitais já é visível: emissões de cat bonds registraram alta significativa e veículos conhecidos como sidecars quase triplicaram desde 2023, chegando a cerca de US$ 18 bilhões (R$ 90,4 bilhões), de acordo com a AM Best. Peças relevantes nesse movimento incluem ofertas personalizadas, como a iniciativa da Hannover Re nas Bermudas para criar carteiras dedicadas a investidores profissionais, e o discurso de gestores que veem o ciclo de emissões apenas no início.

A mudança tem efeitos práticos. A S&P Global aponta que, em 2024, as resseguradoras responderam por pouco mais de 10% das perdas seguradas por catástrofes — bem abaixo da média histórica de 20% — enquanto grandes players reduziram sua exposição a riscos de desastres. Agências como a Fitch alertam que, se o risco migrar em massa para os mercados de capitais, o papel das empresas tradicionais pode se transformar, com impacto sobre preços, capacidade de cobertura e resistência do sistema a choques severos. Além disso, investidores em sidecars assumem riscos potencialmente maiores do que detentores de cat bonds.

Do ponto de vista público e institucional, o avanço levanta perguntas sobre supervisão, transparência e vulnerabilidade de carteiras de pensão e fundos institucionais que buscam rendimento em ativos ligados a seguros. A transferência de risco em larga escala para investidores de mercado amplia a necessidade de regras claras e de gestão de risco robusta para evitar concentração e possíveis efeitos sistêmicos quando eventos climáticos extremos se intensificarem.