Perfis no Instagram ligados à chamada "gangue do 55" têm publicado, nas últimas semanas, vídeos curtos que registram furtos e roubos de celulares nas ruas de São Paulo. As imagens, muitas vezes acompanhadas por batidas de funk e referências ao número 55 — alusão ao artigo do Código Penal sobre furto — mostram a ação dos autores, em geral jovens que usam bicicletas para surpreender pedestres e passageiros de carros.

Além de filmar os crimes, os responsáveis pelas postagens expõem conteúdos pessoais extraídos dos aparelhos subtraídos: vídeos de familiares, mensagens e até fotos que identificam as vítimas. Em um dos casos apurados, um homem que teve o carro atacado encontrou depois imagens suas e da companheira circulando em perfis com alusões ao grupo. A situação aumentou em quem foi alvo a sensação de vulnerabilidade e levou medidas provisórias, como a instalação de películas reforçadas em veículos.

O acerto entre a ostentação pública dos bens roubados — vídeos com dezenas de celulares e maços de dinheiro — e a provocação às vítimas chama atenção pela naturalização do crime e pelo risco à segurança. Há ainda a potencial presença de menores entre os autores, e a alternância entre o uso de máscaras e a exposição de rostos alimenta dúvidas sobre o alcance da investigação e a capacidade de repressão imediata por parte das autoridades.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública, a capital registrou 154.058 furtos e roubos de celulares no ano passado, uma média de 422 ocorrências por dia. O caso também abre debate sobre a responsabilização das plataformas: o Instagram informou que coopera com autoridades e que não permite promoção de crimes, mas especialistas e vítimas dizem que a rapidez de circulação do conteúdo e a permanência de postagens dificultam medidas eficazes de remoção e investigação.