A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta mostra, pela primeira vez no levantamento do instituto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) numericamente à frente do presidente Lula (PT) em uma simulação de segundo turno: 42% contra 40%. A diferença, porém, permanece dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, o que mantém o cenário estatisticamente empatado, mas politicamente sensível. O dado sinaliza que a disputa nacional segue apertada e vulnerável a movimentos de campanha, notícias e eventos eleitorais nos próximos meses.

No levantamento de primeiro turno, Lula lidera com 37% e Flávio registra 32%, seguido por nomes como Ronaldo Caiado (6%) e Romeu Zema (3%). O estudo incluiu novas alternativas que não constavam em sondagens anteriores — entre elas Augusto Cury, Cabo Daciolo e Samara Martins — e apontou 5% de indecisos e 11% que dizem votar em branco, nulo ou não comparecer. Foram ouvidas 2.004 pessoas de 16 anos ou mais entre 9 e 13 de abril; o registro no TSE é BR-09285/2026.

Além das intenções de voto, o levantamento reforça um problema estrutural para ambos: alta rejeição. Lula aparece com 55% dos eleitores dizendo que não votariam nele, e Flávio com 52%. O instituto também mostra uma ampliação da vantagem de Flávio entre eleitores independentes — 33% contra 26% de Lula — um recorte que tende a ser decisivo num eventual segundo turno. Esses números expõem um ambiente de polarização com elevada resistência a alternativa do eleitorado, reduzindo espaço para ganhos fáceis.

Do ponto de vista político, o retrato é ambiguamente preocupante para o governo: embora Lula mantenha liderança no primeiro turno, a vantagem estreita e a avaliação de gestão oscilante (45% aprovam e 52% desaprovam, dentro da margem de erro) complicam a narrativa oficial sobre recuperação consolidada. Para a oposição, o desempenho de Flávio indica viabilidade eleitoral, mas sua própria taxa de rejeição impõe limites e exige estratégia para ampliar face favorável sem ampliar o antipetismo. Em suma, o levantamento é um retrato do momento, não uma previsão definitiva, e deixa claro que independentes, indecisos e a dinâmica da rejeição serão o centro da disputa.