A mais recente pesquisa Genial/Quaest, registrada na Justiça Eleitoral sob o número PA-09305/2026, mostra empate técnico entre a governadora Hana Ghassan (MDB) e o ex-prefeito de Ananindeua dr. Daniel Santos (Podemos) na corrida ao Governo do Pará. No cenário estimulado para o primeiro turno, Hana aparece com 19% das intenções de voto ante 22% de dr. Daniel. O levantamento ouviu 900 eleitores entre 21 e 25 de abril e tem margem de erro máxima de três pontos percentuais para mais ou para menos.
O ex-senador Mário Couto (DC) figura com 11%, enquanto Cleber Rabelo (PSTU) e Araceli Lemos (PSOL) registram 3% e 2%, respectivamente. Votos em branco ou nulo somam 13% e os indecisos chegam a 30% — índice que expõe alta volatilidade do eleitorado e amplia a incerteza sobre o cenário final. Esses números mantêm a disputa aberta e sugerem que as estratégias de campanha terão papel decisivo nas próximas semanas.
Em um cenário sem o nome de Mário Couto, o empate técnico persiste: Hana vai a 22% e dr. Daniel a 24%. No confronto de segundo turno entre os dois, o ex-prefeito aparece à frente, com 35% contra 29% da governadora. Para a gestão estadual, a pesquisa acende alerta: a chamada vantagem de incumbência não se consolidou, e a governadora, que assumiu o cargo em abril após a saída de Helder Barbalho para disputar o Senado, enfrenta pressão para converter a exposição do poder em votação efetiva.
O levantamento também realça riscos políticos para ambos os lados. Dr. Daniel se filiou ao Podemos em março e renunciou ao cargo de prefeito de Ananindeua em abril para disputar o Governo. Em 2025, chegou a ser afastado do cargo por decisão do Tribunal de Justiça do Pará em ação que envolve suspeitas de fraudes em licitações; a suspensão foi revertida no dia seguinte pelo STJ, mas as investigações seguem. O episódio complica a narrativa do candidato, que terá de equilibrar mobilização eleitoral e resposta ao desgaste judicial.
Com 30% de eleitores ainda sem definição e 13% declarando voto branco ou nulo, a disputa no Pará segue em aberto e exige reação das campanhas. Para Hana Ghassan, o desafio é transformar a condição de governante em base de apoio consolidado; para dr. Daniel, é ampliar o eleitorado sem que as denúncias em curso reduzam seu teto eleitoral. Em termos práticos, a pesquisa sinaliza que a corrida estadual pode se definir mais pela capacidade de articulação e pela gestão da narrativa do que por uma vantagem eleitoral pré-existente.