A nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira confirma um cenário de forte competitividade entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em simulação de segundo turno, Lula tem 42% das intenções de voto contra 41% de Flávio — diferença dentro da margem de erro, o que mantém o confronto tecnicamente empatado. Na simulação de primeiro turno, o petista aparece com 39% e Flávio com 33%; brancos, nulos e quem diz que não vai votar somam 10%, e indecisos 5%.
O levantamento, feito com 2.004 entrevistas domiciliares entre 8 e 11 de maio e registrado no TSE (BR-03598/2026), traz sinais políticos relevantes. A virada numérica de Lula em relação à rodada de abril — quando Flávio tinha 42% ante 40% do petista — evidencia oscilação de curto prazo e mostra que a disputa segue aberta. Ao mesmo tempo, a parcela elevada de brancos, nulos e abstenções simulada no segundo turno (14%) e a redução dos indecisos (3%) revelam que parte do eleitorado segue reticente e poderá ser decisiva na definição do resultado final.
Do ponto de vista institucional e eleitoral, a situação impõe riscos e exigências estratégicas a ambos os campos. Para o governo, a pesquisa acende alerta: embora Lula registre leve vantagem no confronto direto, a avaliação do seu governo mostra melhora discreta na positiva (31% para 34%) e queda na negativa (42% para 39%), mas a diferença entre ruim/péssimo e ótimo/bom encolheu de 11 para 5 pontos. Esse recuo reduz margem de manobra política e pode complicar a narrativa governista sobre retomada consolidada, obrigando aliados a ajustar mensagem e prioridade em pauta econômica e administrativa.
Já para Flávio Bolsonaro, a quase paridade numérica confirma capacidade de manter transferência de votos do bolsonarismo, apesar da menor exposição institucional, mas sua trajetória depende de capacidade de ampliar apelo além da base. Em ambos os campos, a rejeição segue alta: 53% dizem que conhecem e não votariam em Lula; 54% têm o mesmo posicionamento em relação a Flávio. Números assim tornam a eleição mais sensível a mobilização, turnout e decisões de terceira via: candidatos com baixa intenção no primeiro turno (Zema e Caiado com 4% cada; Renan 2%; outros agregando 1% ou menos) têm potencial limitado de alterar o quadro sem coalizões claras.
A Quaest trabalha com nível de confiança de 95% e margem de erro máxima de dois pontos percentuais, o que transforma pequenas variações em leitura cautelosa — é um retrato do momento, não uma previsão definitiva. Politicamente, a mensagem é nítida: o pleito está aberto, demanda reação coordenada das campanhas e coloca em evidência a importância de reduzir rejeição, converter indecisos e capturar eleitores que hoje se declaram inclinados a anular ou não votar. Em suma, os números ampliam a pressão sobre estratégias e mostram que 2026 segue em disputa acirrada.