A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira confirma liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ): 39% a 30% no cenário estimulado de primeiro turno e 44% a 39% no segundo turno — principal confronto testado. O levantamento, feito com 2.004 entrevistas presenciais e domiciliares entre 31 de julho e 3 de agosto, tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e está registrado no TSE sob o número BR-06591/2026. É o primeiro termômetro após as convenções que oficializaram candidaturas.

Os números são estáveis em relação a julho dentro da margem de erro, mas exibem sinais políticos relevantes. A diferença de rejeição entre Lula e Flávio encolheu: hoje 52% afirmam que não votariam no presidente, contra 54% que rejeitam o senador — a distância caiu de sete para dois pontos. Esse movimento reduz a margem de manobra do petista para ampliar seu eleitorado no segundo turno, tema que o próprio presidente tem reconhecido em conversas com aliados. Em linguagem política direta: a pesquisa acende alerta sobre o teto de crescimento do governo nas urnas.

O levantamento também mostra a dificuldade de alternativas conservadoras fora do bolsonarismo. Ronaldo Caiado e Renan Santos aparecem com 4% cada; Romeu Zema, 2%; os demais candidatos pontuam marginalmente ou não pontuam. Ao mesmo tempo, altos índices de desconhecimento atingem esses nomes: 44% não conhecem Caiado, 49% não conhecem Zema e 65% não sabem quem é Renan. Na prática, isso aponta para uma política de direita fragmentada e com poucos sinais de viabilização eleitoral, o que fortalece a chance de um segundo turno polarizado entre Lula e Flávio.

Avaliações de governo e fatores de campanha mantêm-se relativamente estáveis: 36% consideram o trabalho do governo positivo e 36% negativo, com 26% avaliando como regular; aprovação e desaprovação do presidente empataram em 48% e 47%, respectivamente. Dois episódios recentes têm impacto mensurável: 59% veem positivamente a reconciliação pública entre Michelle e Flávio, e a parcela que considera que o engajamento dela aumenta as chances do senador subiu de 38% em julho para 46% agora. A decisão do ministro Alexandre de Moraes que proibiu Flávio de visitar Jair Bolsonaro é considerada errada por 52% dos entrevistados. Juntos, esses elementos indicam que o cenário eleitoral segue competitivo e que ambos os lados enfrentarão pressão para ajustar mensagens e estratégias até o pleito.