Pesquisa encomendada pela Genial Investimentos e realizada pelo instituto Quaest aponta que 52% dos entrevistados se declaram contrários à redução das penas dos envolvidos no ataque de 8 de janeiro —incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro—, enquanto 39% se dizem a favor e 9% não souberam ou não responderam. O levantamento foi feito entre 8 e 11 de maio, com 2.004 entrevistas em todo o país e margem de erro de dois pontos percentuais.
O resultado representa uma mudança em relação à medição de dezembro, quando Quaest registrou empate técnico (46% a 46%) entre favoráveis e contrários. A divisão por afinidade política revela forte polarização: a esquerda não lulista é a mais hostil à redução (77% contrários), seguida pela esquerda lulista (72%). No outro extremo, 73% dos que se identificam como bolsonaristas apoiam a medida, e 67% entre a direita não bolsonarista manifestam mesmo apoio. Entre independentes, 58% são contrários e 31% favoráveis.
O levantamento também mostra a percepção sobre o objetivo do projeto: 54% acreditam que a aprovação teve como finalidade beneficiar Bolsonaro; 34% entendem que a proposta visava favorecer todos os envolvidos; 12% não souberam responder. Os números chegam após o Congresso derrubar o veto do presidente Lula ao chamado Projeto de Lei da Dosimetria no final de abril —a votação alcançou 318 votos na Câmara e 49 no Senado— e a proposta ter sido promulgada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Do ponto de vista político, a pesquisa acende alerta para o governo e para o próprio Congresso. A percepção majoritária de que a lei busca favorecer um personagem concreto amplia desgaste sobre deputados e senadores que apoiaram a derrubada do veto, e complica a narrativa oficial de que a mudança seria técnica ou de alcance geral. Para a oposição, os dados reforçam um argumento de crítica pública; para o governo, indicam necessidade de cautela em mensagens sobre segurança jurídica e impunidade.
Embora não seja previsão de voto, o levantamento oferece um retrato do momento e indica custo político da medida num ambiente já polarizado. O recuo do apoio popular em relação a dezembro e a elevada rejeição entre faixas ideológicas que não apoiam Bolsonaro podem pressionar atores institucionais nas próximas semanas, além de movimentar debates sobre legislação penal e a imagem do Congresso rumo a 2026.