O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes reconheceu nesta quinta-feira que errou ao trazer a homossexualidade ao rebater as críticas do pré-candidato Romeu Zema. Em publicação nas redes, Mendes pediu desculpas pelo uso dessa referência, mas manteve o discurso de que o tribunal enfrenta uma "indústria de difamação" que pretende combater.
A fala que motivou a retratação ocorreu em entrevista ao portal Metrópoles, quando o ministro comparou as críticas de Zema a uma representação que o pintaria como homossexual — comentário que teve repercussão negativa imediata e motivou acusações de homofobia, entre elas a do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Zema respondeu provocando nas redes e divulgou imagem gerada por inteligência artificial.
O episódio ganha contorno institucional porque Mendes já havia encaminhado a Alexandre de Moraes um pedido de investigação contra Zema no inquérito das fake news, após o presidenciável divulgar vídeo com bonecos que satirizavam ministros. Moraes remeteu o caso à Procuradoria-Geral da República, que ainda não se pronunciou; o procedimento corre em sigilo.
Mais do que um deslize de linguagem, a sequência expõe custo político para o STF: a reação pública mostra como atos e respostas de magistrados podem repercutir no debate eleitoral e alimentar narrativas de politização da corte, ao mesmo tempo em que elevam a pressão sobre autoridades e sobre o próprio andamento do inquérito.