O ministro Gilmar Mendes reagiu nesta quarta-feira (15) às críticas públicas do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, que no início da semana chegou a defender a prisão de ministros do Supremo e falou em 'podridão' ao se referir à Corte. Em postagem no X, Gilmar apontou para a contradição entre o discurso de ataque e o histórico de Minas de recorrer reiteradamente ao próprio tribunal para obter decisões que suspenderam obrigações financeiras da União e evitaram um colapso fiscal.
O ministro lembrou que medidas do STF permitiram postergar pagamentos que pesavam sobre as contas do estado — uma dívida que, em levantamento de maio, foi estimada em cerca de R$ 165 bilhões — e citou precedentes recentes, como a suspensão por seis meses, em fevereiro, de ações sobre a dívida atendida pelo ministro Kassio Nunes Marques. A linha de argumento de Gilmar expõe um dilema político: autoridades que utilizaram o tribunal em momentos de aperto agora encampam um discurso de deslegitimação quando o julgamento não convém.
Do ponto de vista político, a troca eleva custo reputacional para Zema. Defender medidas extremas contra magistrados e, ao mesmo tempo, apresentar o Estado como beneficiário das decisões judiciais fragiliza uma narrativa de coerência e de responsabilidade institucional — pontos centrais numa pré-candidatura presidencial. Para o Judiciário, a reação oficial de um dos seus ministros busca recolocar o debate nos termos institucionais, lembrando que o recurso ao Supremo foi determinante para a preservação de serviços públicos em Minas.
O episódio reforça a tensão entre críticas legítimas a instituições e ataques que beiram a instrumentalização política da pauta judicial. Zema ancorou suas críticas no escândalo do Banco Master e pediu impeachment de pelo menos dois ministros; a resposta do STF, por seu turno, promete manter aceso o debate sobre limites do confronto entre Poderes. Resta ver se a escalada verbal levará a recuo, a clarificações públicas ou a maior polarização na corrida eleitoral.