O Goldman Sachs elevou, nesta segunda-feira, suas projeções para o mercado de petróleo e alertou que o barril Brent pode se aproximar de US$ 120 no quarto trimestre se a guerra no Golfo se prolongar e as exportações não forem normalizadas. No cenário base, os analistas agora projetam média de US$ 90 o barril para o Brent nos últimos três meses do ano, ante previsão anterior de US$ 80; para o WTI, a nova estimativa é de cerca de US$ 83 no período.

O banco condiciona o salto para níveis próximos de US$ 120 a uma redução persistente da capacidade de produção do Golfo e à demora no retorno dos embarques — o transporte pelo Estreito de Hormuz segue quase paralisado quase dois meses após o início do conflito, enquanto negociações de paz entre EUA e Irã ficaram estagnadas. O Goldman também aponta possíveis ‘cicatrizes’ de longo prazo em torno de 500 mil barris por dia, especialmente por perdas no Iraque.

Os analistas chamam atenção ainda para efeitos que vão além do preço do barril: riscos de escassez de derivados, ampliação do spread entre Brent e WTI, e impactos mais intensos sobre preços ao consumidor e custos industriais do que sugere apenas a cotação da commodity. A incerteza pressiona mercados e complica o quadro para políticas fiscais e monetárias que já lidam com inflação persistente.

Embora o Morgan Stanley espere retomada dos fluxos pelo estreito no final de maio e proponha um cenário menos duradouro, ambos os bancos ressaltam que o risco está inclinado para cima. Para governos e empresas, a lição imediata é que um choque prolongado no fornecimento de petróleo pode ter efeitos amplos e exigir ajustes rápidos em estratégia e planejamento.