Um novo método de furto em transporte público, batizado nas redes de "golpe da mostarda" ou "golpe da sujeira", ganhou repercussão nesta semana após o vídeo de uma vítima alcançar mais de 1,5 milhão de visualizações. Segundo relatos, a ação é rápida e articulada: um criminoso suja a roupa da vítima com um líquido semelhante a vômito, outro aparece como socorrista e distrai, enquanto um terceiro aproveita a confusão para subtrair o celular ou outros pertences.
Vítimas ouvidas disseram que a cena se desenrola em segundos e provoca desnorteamento — circunstância explorada pelos criminosos. Ocorrências relatadas à reportagem ocorreram em diversas linhas da cidade, entre elas 175P‑10 (Ana Rosa), 5110‑10 (Terminal São Mateus) e 172U‑10 (Cemitério Parque dos Pinheiros). A Secretaria de Segurança Pública informou ter registros de furtos com características semelhantes nos dias 22 e 25 de abril, sem indicar prisões relacionadas ao esquema.
O padrão não é inédito: o chamado "mustard scam" é documentado em cidades turísticas do exterior há anos e usa a encenação do acidente para reduzir a vigilância das vítimas. Aqui, a circulação de vídeos nas plataformas ampliou o alerta, mas também expõe uma vulnerabilidade do sistema: a resposta em tempo real de fiscalização e de campanhas informativas ainda é insuficiente diante da rapidez da tática.
Medidas práticas podem reduzir a incidência: recusar ajuda de estranhos, manter objetos de valor fora de bolsos externos, viajar preferencialmente em grupos e registrar imediatamente boletim de ocorrência. Do ponto de vista institucional, especialistas consultados defendem reforço de patrulhamento em linhas apontadas como recorrentes, uso efetivo de imagens de câmeras e campanhas de conscientização para passageiros e trabalhadores do transporte.