O governo federal anunciou a intenção de elevar a mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% (E32) já em maio. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, comunicou a interlocutores que deve convocar a reunião do CNPE para pautar a mudança, que precisa do aval de todas as pastas do conselho.
A proposta é defendida pelo agronegócio como forma de reduzir dependência de combustíveis fósseis e amortecer efeitos do choque no mercado internacional após a escalada do conflito envolvendo o Irã. Estudos setoriais citam que o E32 reduziria em cerca de 5% as importações de gasolina, hoje em torno de 15% do consumo nacional. Ainda assim, técnicos do ministério apontam a necessidade de concluir análises para comprovar viabilidade operacional e impactos em motores.
No plano econômico e político, a medida é tentativa explícita de conter a pressão sobre preços dos combustíveis — tema sensível para o governo Lula. Desde o início do conflito, o Executivo zerou PIS/Cofins e lançou subvenção para o diesel, mas não estendeu o mecanismo à gasolina. O agronegócio critica as intervenções por supostamente beneficiar importadoras e pede também aumento da mistura de biodiesel, que tem capacidade ociosa para expansão.
Além dos trâmites técnicos no CNPE, a pauta tem implicações políticas: a liderança na Câmara encaminhou projeto para estender benefícios tributários a gasolina, etanol e biodiesel condicionados a receita extraordinária de exportação de petróleo. Em meio ao receio com alta de combustíveis e ao crescimento de adversários nas pesquisas, a mudança do corte de caneta pode aliviar a oferta, mas não elimina o risco de desgaste político nem as disputas entre ministérios e setores afetados.