O Governo de Minas Gerais divulgou à noite o conjunto de documentos que detalham a etapa prévia da oferta de ações da Copasa, marcando a reta final do processo de privatização da companhia estadual de saneamento. O manual que qualifica o investidor de referência exige que o parceiro estratégico adquira 30% do capital e comprove investimentos em infraestrutura de ao menos R$ 6,3 bilhões nos últimos 20 anos. Entre as garantias previstas está uma carta fiança mínima de R$ 7 bilhões.

Pelas regras publicadas, o investidor de referência ficará sujeito a um lock-up de quatro anos, com obrigação de manter pelo menos 50% das ações adquiridas até 2033 ou até o cumprimento das metas de universalização de água e esgoto. O cadastramento na B3 para apresentar documentos de qualificação começou em 24 de abril e vai até 8 de maio. A expectativa oficial é concluir a privatização até o fim do próximo mês; o vencedor será quem oferecer o maior preço por ação, com valores mínimos a serem fixados em etapas posteriores.

O governo também publicou um acordo de não concorrência que obriga o sócio estratégico a usar a Copasa como veículo exclusivo para novos investimentos em saneamento dentro de Minas. A estrutura da operação prevê 30% para o investidor de referência, 15% ofertados ao mercado via bookbuilding e uma participação residual de 5% mantida pelo Estado. Além disso, o Estado conservará uma ação de classe especial (golden share) que garante vetos sobre alterações de nome e sede e o direito de eleger membros fixos nos conselhos da companhia.

O desenho combina garantias de controle estatal —através de vetos e da golden share— com exigências rígidas para o investidor, que reduzem o risco de saída rápida, mas também estreitam o leque de candidatos e podem limitar a competitividade do leilão. Fontes ligadas ao processo apontam disputa concentrada entre Aegea e um provável consórcio Sabesp‑Equatorial. O conjunto de travas e garantias acende alerta para o governo: protege objetivos de políticas públicas, mas complica a narrativa de atração ampla de capital e pode pressionar o preço final da operação. O próximo passo formal é a publicação do prospecto, que definirá calendário e regras definitivas da oferta.