Um estudo publicado na revista Science traça o percurso antigo do rio Colorado e conclui que a escavação principal do Grand Canyon ocorreu ao longo de aproximadamente cinco milhões de anos. A pesquisa combina análises mineralógicas e datação de camadas vulcânicas para situar temporalmente os sedimentos transportados pelo rio.

Os autores examinaram grãos microscópicos do mineral zircão em arenitos formados por sedimentos fluviais e dataram camadas de cinza vulcânica para reconstruir os leitos antigos. Segundo o estudo, por volta de 6,6 milhões de anos formou-se uma grande bacia com um lago raso — apelidado informalmente de lago Bidahochi — que, após transbordar, iniciou o curso que perfuraria o futuro cânion.

O transbordamento por um ponto baixo nas margens, há cerca de 5,6 milhões de anos, teria direcionado o fluxo pelo traçado que se tornaria o Grand Canyon. A descarga seguiu por outras bacias a jusante e, por volta de 4,8 milhões de anos, alcançou o golfo da Califórnia no noroeste do México. Os dados ajudam a fechar uma lacuna sobre onde o rio estava entre 11 milhões e cerca de 5,6 milhões de anos atrás.

Além de esclarecer cronologia e rota, o trabalho lembra que outros mecanismos geológicos podem ter contribuído para a morfologia final do cânion. As paredes do Grand Canyon expõem rochas com idades de até 1,8 bilhão de anos e a incisão fluvial média estimada no último milhão de anos é da ordem de 100 a 160 metros por milhão de anos — um processo que permanece ativo e continua a moldar a paisagem.