A Grow Therapy, fundada em 2020, conquistou o topo do ranking das Empresas de Crescimento Mais Rápido das Américas 2026 compilado pelo Financial Times e pela Statista. A taxa de crescimento anual composta de 455,6% elevou as receitas de US$ 3,6 milhões em 2021 para US$ 617,4 milhões em 2024. Em março, a empresa captou US$ 150 milhões e alcançou avaliação de US$ 3 bilhões.
O modelo de negócio se apoia em acordos de compartilhamento de receita com seguradoras: a plataforma conecta pacientes a terapeutas, paga os profissionais e é remunerada pelas operadoras. Segundo a Grow, pacientes pagam em média US$ 21 por sessão, cerca de um terço não paga, e a empresa tem parceria com mais de 125 seguradoras. Programas corporativos, como o oferecido a funcionários da Amazon —seis sessões por ano— reforçam a dependência de contratos empresariais e de saúde.
A aposta tecnológica inclui chats com inteligência artificial para triagem e suporte, alinhada ao interesse crescente do público em interagir com assistentes digitais. Relatórios, como o da Harvard Business Review, já destacaram terapia e companhia entre os principais usos emergentes da IA generativa —uma tendência que a Grow e concorrentes exploram para escalar atendimento.
Mas o crescimento meteórico convive com sinais de alerta. O mercado de terapia online explodiu na pandemia e depois mostrou fragilidades: nomes como Teladoc e Talkspace enfrentaram revezes, expondo os riscos de modelos sustentados por capital de risco e parcerias volúveis. A rápida expansão da Grow levanta questões legítimas sobre qualidade do atendimento, privacidade de dados e sustentabilidade financeira —fatores que podem limitar a narrativa otimista embalada pela avaliação de mercado.