Sete pesquisadores lançam em São Paulo o "Guia da Gestão Pública Antirracista", publicação que reúne fundamentos, análises e um roteiro prático de ações para fortalecer políticas de enfrentamento ao racismo institucional. A iniciativa parte da percepção de ausência de material prático que situe gestores sobre o que já existe, os principais obstáculos e possibilidades de avanço no setor público.

Os autores sustentam que, embora o acesso a cargos públicos ocorra majoritariamente por concurso — instrumento visto como neutro —, há uma persistente concentração de pessoas negras em postos que exigem menor qualificação, longe das áreas estratégicas do governo. O diagnóstico, que apoia-se em dados raciais produzidos pelo IBGE, põe em xeque a narrativa meritocrática que muitas gestões utilizam para explicar a composição dos quadros.

O livro se dirige a gestores e lideranças públicas e traz repertórios de enfrentamento que podem ser acionados pela administração, como mapeamento ocupacional por raça, políticas de desenvolvimento de carreira e revisão de critérios de recrutamento para áreas estratégicas. Os organizadores defendem que o Estado tem papel central na promoção da igualdade racial e na validação das demandas sociais, com instrumentos que vão além da legislação.

A obra, assinada por Clara Marinho, Michael França, Giovani Rocha, Ellen da Silva, João Pedro Caleiro, Lia Pessoa e Karoline Belo, será apresentada no Insper em São Paulo e terá sessões em Brasília. Mais do que um manual, o Guia coloca sobre a mesa uma contradição institucional: a aparente neutralidade do concurso público não garante, por si só, diversidade ou igualdade de oportunidades, exigindo ação deliberada de gestores públicos.