A Arena MRV virou palco de emoção no domingo: antes do duelo com o Botafogo, Hulk foi convocado ao gramado para uma despedida organizada pela torcida. Um mosaico 3D iluminou as arquibancadas, faixas de agradecimento foram exibidas na esplanada e os cânticos — entre eles “Hulk Paraíba, nós gostamos de você” — embalaram o momento. O atacante, visivelmente emocionado, retribuiu e deixou claro o vínculo que construiu com a torcida nos últimos cinco anos.

Contratado em 2021, Hulk deixa um currículo robusto pelo clube: cinco Campeonatos Mineiros (2021–2025), o Brasileirão e a Copa do Brasil de 2021, além da Supercopa de 2022. Em mais de 300 jogos, soma 140 gols e 56 assistências. O jogador já assinou com o Fluminense até o fim do ano, mas só poderá estrear com a nova camisa após a janela que se abre depois da Copa do Mundo.

A despedida, porém, teve outra leitura: assim que Hulk deixou o gramado acompanhado pela família, parte da torcida converteu a emoção em protesto, com xingamentos dirigidos à família Menin, dona da SAF do clube. Jogadores entraram em campo usando camisas com o nome “herói”, gesto que celebrou o atleta, enquanto as vaias deixaram claro o desgaste entre a arquibancada e a gestão. O episódio expõe uma divisão interna que vai além do campo e põe pressão política sobre os proprietários.

O adeus de Hulk mistura legado esportivo e sinal de alerta institucional. Para a massa, fica a gratidão por uma passagem marcada por gols e títulos; para a diretoria e para quem administra a SAF, fica o desafio de transformar afeto em estabilidade e de responder ao descontentamento que se manifestou de forma contagiante na Arena MRV.