Um levantamento da 13ª Pesquisa Game Brasil mostra que a incorporação da inteligência artificial generativa no desenvolvimento de jogos acende preocupações significativas entre o público nacional. Segundo o estudo aplicado entre 5 e 13 de março com 7.115 participantes, 45,7% dos entrevistados temem a precarização do setor e a perda de empregos; 39,6% apontam receio quanto ao uso indevido de trabalhos de artistas; e 38,4% receiam queda na qualidade dos jogos.
Grandes estúdios — entre eles EA, Ubisoft, Microsoft e Epic Games — têm defendido a IA como caminho para ganhar eficiência, acelerar prazos e cortar custos de produção. Ainda assim, a pesquisa revela um dilema: apesar do receio, 40,9% disseram que talvez comprariam jogos com boa parte do conteúdo gerado por IA e 39,3% afirmaram que certamente comprariam, indicando que a aceitação do mercado pode conviver com inquietações sobre práticas de trabalho e direitos autorais.
As preocupações têm fundamento no mercado de trabalho. A Square Enix confirmou redução de equipes fora do Japão e substituições por ferramentas geradas por IA, e dados da Game Developers Conference indicam que mais de 25% dos desenvolvedores perderam postos nos últimos dois anos, com 48% sem recolocação. Especialistas ouvidos pela ESPM observam que o debate público avançou da simples posição pró/contra para uma avaliação mais complexa sobre ética, emprego e qualidade criativa.
O quadro expõe uma tensão óbvia para políticas públicas e para o setor: como conciliar ganho de produtividade com proteção de empregos, respeito a direitos autorais e manutenção da qualidade cultural? Reguladores, estúdios e sindicatos terão de responder, sob risco de a modernização virar fonte de precarização e dano ao ecossistema criativo — cenário que pede medidas concretas, transparência no uso de IA e pactos que preservem talento humano.