A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado, conclui em relatório a ser divulgado nesta quinta-feira (16) que a guerra no Irã deve, na prática, gerar um resultado fiscal favorável ao Brasil. A avaliação da equipe técnica é que a elevação do preço do barril ampliou receitas com royalties do petróleo, criando um ganho líquido esperado para 2026 e 2027.

O documento destaca que, mesmo com medidas do governo para reduzir impactos sobre o cidadão — como subvenções ao óleo diesel e ao gás de cozinha e o adiamento da cobrança de tarifas das companhias aéreas —, os incrementos de arrecadação derivados da alta do petróleo tendem, por ora, a superar essas despesas adicionais. É essa diferença que explica a projeção de melhora fiscal apontada pela IFI.

Os técnicos, porém, fazem reservas importantes: tratam o efeito como volátil e dependente de variáveis incertas, como a duração do conflito e as reações das economias globais. O relatório ressalta que não há previsibilidade sobre a profundidade dos impactos nem sobre decisões externas relevantes, incluindo movimentos da administração dos Estados Unidos, que podem alterar completamente o cenário.

Do ponto de vista político e fiscal, o levantamento acende um sinal de atenção: ganhos pontuais podem oferecer folga temporária ao governo, mas também criar risco de acomodação e pressão por gasto discreto. A leitura prudente da IFI sugere que, diante da incerteza, a prioridade deveria ser usar qualquer receita extraordinária para reforçar reservas e transparência fiscal, e não para mascarar necessidades estruturais de ajuste.