Representantes do setor de importação de pneus intensificaram a mobilização contra uma proposta formalizada pela indústria nacional na Camex: a ANIP pediu ao Comitê de Alterações Tarifárias que a alíquota sobre pneus importados suba de 25% para 35%. O movimento reacende a disputa entre interesses protecionistas e as consequências práticas para preços ao consumidor e custos operacionais.
Importadores apontam que a trajetória tarifária já teve aumentos rápidos: o produto saiu de isenção até outubro de 2024, passou por 16% e foi para 25% no ano passado. No entendimento da ABIDIP, a elevação contínua pressiona diretamente a formação de preços — um exemplo trazido pela entidade mostra que um pneu com custo-base de R$ 500 pode ter acréscimo substancial conforme muda a alíquota, chegando a repasses que superam 20% quando considerados tributos indiretos e logísticos.
Dados da Fenabrave mostram que as vendas de veículos leve e comerciais cresceram 15% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao ano anterior, usado pelos importadores para sustentar que a demanda existe. Ainda assim, o setor que reivindica proteção admite que há déficits de eficiência e modernização na cadeia nacional — argumento que coloca a discussão num patamar técnico, além do puramente fiscal.
Há também fatores externos: a elevação de custos de frete em razão de tensões no Estreito de Hormuz já impacta importações e pode agravar o efeito sobre preços finais, com desdobramentos específicos para motoristas de aplicativos, taxistas e frotistas, que enfrentam maior desgaste de pneus. O pedido da ANIP será avaliado no CAT, e a decisão deverá ponderar o balanço entre preservação da indústria doméstica e o risco de onerar usuários e segmentos produtivos.
Do ponto de vista político e econômico, a proposta expõe um dilema clássico: reforçar proteção é previsível para amenizar pressão sobre a produção nacional, mas pode resultar em custo político e econômico imediato — inflação setorial e reação de setores que dependem de mobilidade. A alternativa, sugerida por importadores, passa por políticas complementares de eficiência e modernização, em vez de aumentos tarifários automáticos.