Negociadores americanos seguiram para o Paquistão para mais uma rodada de conversas com autoridades iranianas, mas a participação de Teerã permanece incerta depois que os EUA apreenderam um navio com bandeira iraniana no golfo de Omã, no domingo. A operação, descrita como a primeira utilização de força para fazer valer o bloqueio marítimo, aumentou a volatilidade do quadro diplomático à medida que o cessar‑fogo bilateral de duas semanas se aproxima do fim, previsto para a noite de terça‑feira.

Fontes oficiais iranianas deixaram claro que não há decisão final sobre a ida a Islamabad: um alto funcionário informou à Reuters que Teerã avalia positivamente a participação, mas decisões dependem da reação a ações americanas. A mídia estatal e o líder do Parlamento e principal negociador, Mohammad Bagher Qalibaf, criticaram a postura de Washington, com declarações que sugerem que a mesa de diálogo estaria sendo convertida em cenário de rendição. O porta‑voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano acusou os EUA de não levar a diplomacia a sério e de insistir em posições que Teerã considera irracionais.

Um ponto central de atrito é a exigência americana de que o Irã abra mão de seu programa nuclear e transfira urânio enriquecido para um terceiro país. Washington também enfrenta um desafio logístico e de imagem: o Paquistão tenta mediar e pressiona por um fim ao bloqueio dos portos iranianos, que é apontado por Teerã como obstáculo à retomada do diálogo. Islamabad mobilizou ampla segurança — cerca de 20 mil agentes segundo relatos — para receber as delegações, sinal de que o encontro terá risco elevado e custos políticos locais.

Do lado americano, a agenda e a retórica de líderes, incluindo declarações de Donald Trump em redes e entrevistas afirmando que negocia um acordo 'melhor' que o JCPOA de 2015, compõem uma estratégia de pressão pública. A apreensão do navio, no entanto, reforça a narrativa de confrontação e pode minar a confiança mútua necessária para um acordo. Com o prazo do cessar‑fogo expirando e a presença de representantes iranianos pendente, o processo aparece como um retrato frágil: válido como um teste diplomático imediato, mas longe de garantir resultados se as tensões não forem reduzidas.