O Ministério da Previdência e o INSS promovem neste sábado e domingo um novo mutirão de perícias médicas em 53 agências de 16 estados, com previsão de mais de 19 mil atendimentos, entre presenciais e pela modalidade “perícia conectada”. O instituto afirma que a modalidade remota respeita privacidade e sigilo e amplia o alcance para regiões com escassez de profissionais.
Os números oficiais expõem, porém, a dimensão do desafio. Segundo a presidente do INSS, Ana Cristina Silveira, o órgão tem 2,7 milhões de processos em tramitação: cerca de 1,3 milhão são pedidos que entram todos os meses e aproximadamente 500 mil dependem de ação dos segurados, como entrega de documentos. Pelas contas apresentadas, o volume de atrasos está em torno de 900 mil processos.
O mutirão, realizado a cada 15 dias e que já soma 130 mil atendimentos desde o início do ano, alivia pontos de pressão, mas não resolve o problema estrutural. Uma conta simples mostra o limite da estratégia: 900 mil atrasos divididos por 19 mil perícias por edição resultam em cerca de 47 mutirões — como os eventos ocorrem quinzenalmente, isso equivaleria a quase 94 semanas, ou cerca de 1,8 ano, sem considerar o fluxo contínuo de novos pedidos.
O quadro indica necessidade de medidas além dos mutirões: ampliar capacidade de perícia, simplificar fluxos administrativos e acelerar soluções digitais para reduzir dependência de deslocamento dos segurados. Do ponto de vista político e social, manter uma fila persistente de centenas de milhares de processos traz custo real à população e constrange a agenda de eficiência pública do governo.