A Justiça determinou nesta sexta-feira a internação de um adolescente de 17 anos acusado de participar do estupro coletivo de outra jovem da mesma idade, episódio ocorrido em janeiro em Copacabana. A medida, assinada pela juíza Vanessa Cavalieri, impõe inicialmente seis meses de internação sem possibilidade de atividades externas, prazo que pode ser renovado por até três anos. O nome do menor foi preservado por sigilo; a reportagem não localizou quem o defende.

Na decisão, a magistrada apontou falhas no entorno familiar do adolescente e considerou que ele teve papel central na dinâmica do crime, ao organizar o encontro que terminou em violência. Segundo o processo, o adolescente teria convidado a vítima — sua ex-namorada — para o apartamento acreditando que se encontrariam apenas os dois. Imagens de segurança e depoimentos mostram que outros quatro homens adultos já estavam no local quando ela chegou.

Quatro adultos foram presos e indiciados por estupro coletivo qualificado e cárcere privado: Vitor Hugo Simonin, Bruno Felipe dos Santos Alegretti, Matheus Veríssimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho. A investigação da 12ª DP e o laudo de corpo de delito registraram sinais de conjunção carnal recente, atos libidinosos forçados e lesões em diversas regiões do corpo, além da suspeita de fratura em uma costela, conforme informou o delegado Ângelo Lages.

A sentença valorizou o relato da vítima como elemento-chave — considerado coerente e compatível com as provas — e revisou uma decisão anterior que havia negado a internação do menor. O caso expõe os desafios do sistema de apuração e das medidas socioeducativas: além das consequências penais para os envolvidos adultos, a decisão abre debate sobre como o Judiciário pondera proteção da vítima, responsabilização dos jovens e limites das respostas do Estado a crimes sexuais de grande repercussão.