O Kremlin elevou a pressão sobre a rede ao ampliar o bloqueio de sites e serviços, obrigando cidadãos a adotar soluções improvisadas para manter contato com notícias, redes sociais e comércio. Usuários relatam baixar e alternar dezenas de aplicativos de VPN depois que provedores são interrompidos, transformando o acesso em uma espécie de ‘gincana’ digital.

As restrições englobam grandes plataformas — Facebook, X, Instagram, YouTube e até ferramentas como ChatGPT — e se estenderam a mensageiros: o WhatsApp perdeu funções e foi proibido, e o Telegram, pilar de comunicação amplamente usado no país, passou a enfrentar controle total. As autoridades justificam os cortes pela necessidade de evitar fraudes e ataques, especialmente no contexto da guerra.

Na prática, a mira agora inclui os próprios serviços que burlam bloqueios. A Rússia já concentrava grande uso de VPNs — cerca de 37,5% do mercado global, segundo levantamento citado — e a tentativa de restringi-los empurra usuários a gastar tempo e dinheiro com assinaturas múltiplas e alternativas técnicas, reduzindo a previsibilidade do acesso à informação.

Há impacto econômico e institucional: empresas que dependem de plataformas globais veem canais de vendas e comunicação prejudicados, consumidores pagam por soluções privadas e o mercado de apps passa por distorções. O lançamento e promoção do MAX, um serviço apoiado pelo Estado, alimentou suspeitas sobre o objetivo real das restrições e sobre a centralização de dados e serviços sob controle estatal.

A retórica oficial prioriza segurança operacional frente a ameaças, mas a escalada de bloqueios e a perseguição a ferramentas de evasão ampliam o cerco à sociedade digital russa. A medida reduz espaços de expressão, aumenta custos para cidadãos e empresas e deixa em aberto até que ponto o controle virtual comprometerá economia e liberdade civis no médio prazo.