Ao preparar a declaração do IR 2026, dois campos merecem atenção estratégica: educação e saúde. Lançar todos os comprovantes corretos pode reduzir significativamente o imposto a pagar, mas as regras são distintas e exigem disciplina documental. Para não correr risco com a fiscalização, guarde recibos e notas fiscais por, no mínimo, cinco anos e confirme CPF ou CNPJ dos prestadores.

No caso da educação, o benefício alcança o declarante, seus dependentes e alimentandos (quem recebe pensão judicial), mas não vale para qualquer curso. Há um teto anual por pessoa: R$ 3.561,50. É essencial verificar se a despesa se enquadra nas categorias aceitas pela Receita antes de lançá-la para não provocar ajustes e explicações posteriores.

Gastos com saúde não têm limite de dedução, o que os torna relevantes para a redução da base tributável. Porém, o leque é específico: entram despesas médicas e profissionais da área, enquanto itens como medicamentos de farmácia, acompanhantes hospitalares e procedimentos estéticos não são dedutíveis. Registre claramente a natureza do serviço e o CPF/CNPJ do prestador.

Na previdência privada, a escolha entre PGBL e VGBL altera o benefício fiscal. O PGBL permite deduzir contribuições no IR — até 12% dos rendimentos tributáveis — e é indicado a quem usa a declaração completa. O VGBL não concede dedução, mas no resgate o imposto incide só sobre os rendimentos, preservando o capital. Avalie o objetivo: abatimento imediato ou acumulação de patrimônio.

Também é possível direcionar parte do imposto devido a fundos que apoiam crianças, adolescentes ou idosos, desde que respeitados limites (em geral entre 6% e 7% do imposto devido) e prazos de pagamento das guias antes do fim do prazo da declaração. Tenha claro que doações por mera liberalidade — a partidos, a candidatos, a parentes, dízimos ou cestas básicas a particulares — não são dedutíveis por falta de previsão legal.