O Irã informou que só voltará à mesa de negociações se o bloqueio naval imposto por Teerã no Golfo Pérsico for suspenso, condição que põe em risco a segunda rodada prevista de conversas. A declaração é a primeira reação oficial ao prolongamento do cessar-fogo anunciado pelo presidente dos Estados Unidos e evidencia um impasse central: diplomacia condicionada à reversão de medidas que já geram impacto real no tráfego marítimo.

A Guarda Revolucionária iraniana ampliou o tom ao prometer "golpes devastadores" caso os combates sejam retomados. No mesmo dia, ao menos três navios porta-contêineres foram atingidos por disparos no Estreito de Ormuz, segundo fontes de segurança marítima e a UKMTO. Um navio com bandeira da Libéria teve a ponte de comando danificada após ser abordado por uma lancha da Guarda; não houve registros de mortos, incêndio ou impacto ambiental, conforme relatado às autoridades de monitoramento.

Em mensagem pública, o presidente Donald Trump afirmou que o Irã estaria "entrando em colapso financeiro" por perder supostamente US$ 500 milhões por dia com o bloqueio do Estreito de Ormuz. Paralelamente, a União Europeia anunciou que apresentará um pacote de medidas para responder a uma potencial crise energética, o que revela preocupação internacional com os efeitos diretos da disputa sobre oferta e preços de combustíveis. O bloqueio e as restrições à navegação surgiram em retaliação ao bombardeio conjunto atribuído a EUA e Israel, e depois como resposta ao cerco americano aos portos iranianos, segundo relatos oficiais.

O quadro complica as alternativas diplomáticas: a condição imposta por Teerã e a escalada de ataques navais aumentam custos políticos e econômicos para todos os atores e deixam a iniciativa negociadora em xeque. A tensão também pressiona fornecedores e rotas comerciais, elevando o risco de perturbações nos mercados de energia. Sem uma saída que reduza a confrontação no mar, a segunda rodada de negociações corre o risco de ser adiada ou fracassar, com consequências práticas para a estabilidade regional e o abastecimento global.