Com sinais públicos e relatos de organizações humanitárias, o Irã intensificou o uso de menores em atividades de segurança desde o início do conflito. Além de denúncias sobre crianças em postos de controle e patrulhas, um anúncio estatal reduziu formalmente a idade mínima de alistamento na Basij, órgão paramilitar ligado à Guarda Revolucionária.

A mudança, apontada por líderes de brigadas regionais, passou a admitir jovens a partir dos 12 anos — antes o limite era 15. Junto ao anúncio circularam imagens e um pôster que parecem mostrar um menor ao lado de um militar. ONGs como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch documentaram casos em que crianças manejavam armas pesadas e relato de morte de um menino de 11 anos em um posto de controle em março.

Cortes de internet, censura e medo de represálias dificultam verificações independentes, segundo especialistas. A prática remete a episódios históricos — como o envio massivo de jovens à guerra Irã-Iraque nos anos 1980 — e a relatos mais recentes sobre o envolvimento de jovens estrangeiros em conflitos regionais. Em 28 de fevereiro, um ataque atingiu uma escola feminina, deixando dezenas de mortos; investigações levantaram suspeitas sobre os autores e aumentaram o debate sobre a exposição de civis e instituições escolares.

Do ponto de vista legal e político, o recrutamento e o emprego de menores em operações militares configuram violações de normas internacionais e ampliam o custo reputacional do regime. Além de expor crianças à violência, a prática complica a posição do governo frente a organismos internacionais e amplia a pressão por prestação de contas, mesmo diante das limitações de acesso e da retórica securitária adotada em Teerã.