O Irã reforçou o controle do estratégico Estreito de Ormuz ao apreender dois navios comerciais, em um gesto que ocorre pouco depois do presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar a suspensão dos ataques por prazo indeterminado. O episódio mantém a passagem marítima efetivamente fechada e adiciona mais pressão sobre cadeias globais de comércio e energia.
A resposta iraniana à decisão americana foi de silêncio sobre um acordo de trégua e crítica aberta à manutenção do bloqueio naval dos EUA ao comércio iraniano, classificado por Teerã como ato de guerra. O presidente do Parlamento e principal negociador, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que um cessar-fogo pleno só faria sentido se o bloqueio fosse suspenso, apontando contradição na postura americana.
Fontes de navegação e a agência semioficial Tasnim relatam que a Guarda Revolucionária escoltou até a costa os navios Epaminondas (bandeira liberiana) e MSC Francesca (panamenha), acusando-os de operar sem autorizações e de adulterar sistemas de navegação. Um terceiro cargueiro com bandeira liberiana foi alvo de disparos, sem danos, e seguiu viagem.
No front americano, o conflito também provoca turbulência administrativa: o secretário da Marinha, John Phelan, deixou o cargo em movimentação anunciada pelo Pentágono, semanas após outras demissões de alto escalão. O governo norte-americano recuou igualmente de ameaças de atacar infraestruturas civis iranianas, enquanto a guerra, iniciada por ataques a 28 de fevereiro, pouco avançou rumo a um acordo duradouro.
O resultado prático é um padrão de espera perigoso: com o Estreito de Ormuz praticamente bloqueado — rota que respondia por cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo antes do conflito — os impactos econômicos se espalham e a opção por ações unilaterais aumenta o custo político para Washington. A dinâmica atual acende alerta sobre a necessidade de uma estratégia diplomática clara para evitar maior dissociação entre objetivos declarados e medidas no campo.