Um aparente avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã teve efeito imediato nos mercados: o barril Brent caiu cerca de 10% depois que ambas as partes disseram nesta sexta-feira que o trânsito no estreito de Hormuz estaria liberado. O presidente Donald Trump afirmou que um acordo está próximo, que haverá mediação no Paquistão e que Teerã aceitou suspender seu programa nuclear — afirmações que Teerã contestou em pontos centrais.
A publicação inicial do chanceler iraniano sobre a abertura de Hormuz condicionou o tráfego às rotas estabelecidas pelo Irã, algo que Washington não reconhece. Trump, por sua vez, afirmou que o bloqueio naval americano seguirá em vigor para navios com petróleo iraniano até o fechamento de um acordo e disse que minas estariam sendo removidas de forma conjunta — relato ainda não confirmado por Teerã. A Guarda Revolucionária reforçou que vetará embarcações militares estrangeiras, mantendo uma cláusula de autoridade regional.
A inconsistência entre declarações reduz a credibilidade do cenário de desescalada e cria custo político para uma administração ansiosa por declarar vitória. A proposta europeia de montar uma missão naval em Hormuz avança, mas só seria ativada após um acordo formal, o que limita impacto imediato. Empresas de transporte e monitores independentes seguem cautelosos: a consultoria Kpler relatou saídas de petroleiros iranianos, mas o fluxo comercial permanece sujeito a riscos operacionais e legais.
Economicamente, a queda do petróleo dá alívio momentâneo, porém frágil, pois decorre de sinalização e não de medidas verificadas no terreno. Politicamente, a manutenção do bloqueio americano e as negativas sobre transferência de urânio por parte de Teerã mantêm o quadro instável. As negociações mediadas no Paquistão serão decisivas para transformar declarações em garantias reais — até lá, o risco de reversão e nova escalada permanece.