As negociações sobre a revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu avançam com perspectiva de redução da tarifa de energia a partir de 2027, segundo o diretor‑geral brasileiro da usina, Enio Verri. Em entrevista em Foz do Iguaçu, ele indicou que a meta é anunciar os novos parâmetros até dezembro, com a intenção de que Itaipu ofereça, no próximo ciclo, a menor tarifa do país.
O ponto central do debate é a forma de cálculo do custo: uma ata assinada em 2024 admite considerar apenas custos operacionais, estimando uma faixa entre US$ 10 e US$ 12 por kW/mês. Hoje, o Custo Unitário dos Serviços de Eletricidade (Cuse) fixado para 2024–2026 é de US$ 19,28 kW/mês; na prática, a tarifa brasileira foi mantida em US$ 17,66 kW/mês após um aporte extra de Itaipu de US$ 285 milhões para preservar a modicidade tarifária.
A posição brasileira privilegia energia mais barata como política pública, com impacto imediato sobre residências, indústrias e competitividade. Do outro lado, o Paraguai teme perda de receita: sua cota de 50% frequentemente não é consumida internamente e a renda de Itaipu é vista como fonte de financiamento de investimentos e desenvolvimento. A tensão entre inclusão social e arrecadação externa marca a negociação.
A complexidade institucional aumenta a incerteza: decisões na diretoria da usina exigem consenso entre seis diretores brasileiros e seis paraguaios, e os termos acordados precisarão passar por chanceleres, ministros e, por fim, pelos parlamentos dos dois países. Uma das alternativas em discussão é permitir que a cota paraguaia seja vendida no mercado livre brasileiro, medida que mudaria fluxos comerciais e impactos sobre preços.
Do ponto de vista fiscal e regulatório, uma tarifa mais baixa beneficia consumidores, mas pode reabrir a necessidade de aportes temporários para equilibrar receitas — como já ocorreu — e deslocar pressão orçamentária ou negociar compensações. A agenda exige, portanto, transparência na modelagem final e clareza sobre efeitos tributários, contrapartidas e riscos à segurança jurídica, antes de concluir o acordo que entrará em vigor em 2027.