A galeria Dan, na zona oeste de São Paulo, apresenta pela primeira vez ao público a mostra 'Máscaras, Ivald Granato – Quem é você?', com 32 pinturas do artista falecido em 2016 aos 66 anos. O conjunto, datado do final dos anos 1990, revela uma faceta menos conhecida da obra de Granato, marcada pela presença recorrente da máscara como motivo central.

Ao contrário dos tons quentes e vibrantes que costumam identificar o pintor, muitas dessas telas aparecem em paleta mais sombria; em várias imagens as máscaras têm olhos semi ou totalmente fechados, como que em transe. A curadora Maria Alice Milliet interpreta esse período como momento de introspecção, em que o artista fez um balanço da vida e voltou o olhar às suas origens.

A referência às raízes aparece de duas maneiras: algumas composições lembram as máscaras do Carnaval que Granato via em Campos dos Goytacazes, cidade natal, enquanto outras incorporam traços típicos de máscaras africanas — contornos oblongos e olhos reduzidos. Milliet destaca também a ligação familiar, citando origem indígena e africana pela via materna, e explica a decisão de dispor máscaras africanas reais ao lado das telas para evidenciar a relação entre objeto e imagem.

A mostra reforça outro aspecto central da trajetória de Granato: sua atuação como performer e a propensão à encenação. Conhecido por imitar figuras como Andy Warhol e Joseph Beuys, ele foi precursor de happenings no Brasil — caso emblemático é o 'Mitos Vadios' de 1978, evento que reuniu nomes da contracultura paulistana e marcou sua postura de interromper cenas para tomar a cena. O acervo exposto ajuda a reposicionar o pintor como artista que articulou pesquisa iconográfica, identidade e ação performática.