A população que vive só no Brasil mais que dobrou entre 2012 e 2025, segundo dados da Pnad Contínua do IBGE. O número de lares unipessoais subiu de 7,5 milhões para 15,6 milhões, alta de 109,8%, e passou a representar 19,7% dos 79,3 milhões de domicílios do país — a maior participação registrada na série histórica. Em termos absolutos, o contingente de 2025 supera a população de estados como a Bahia.

O relatório associa parte desse movimento ao envelhecimento populacional: a fatia de pessoas com 60 anos ou mais cresceu de 11,3% para 16,6% no mesmo período, e esse grupo respondeu por 41,2% dos domicílios unipessoais. Outros fatores citados pelo IBGE incluem casamentos mais tardios e migrações ligadas ao trabalho, quando indivíduos se mudam sozinhos antes de levar a família. A pesquisa também mostra diferenças regionais relevantes: Rio de Janeiro (23,5%), Bahia (22,3%) e Rio Grande do Sul (21,9%) têm as maiores proporções; o Pará registra o menor percentual (13,4%).

O perfil por sexo inverte o quadro nacional: embora as mulheres representem 51,2% da população, os homens eram maioria entre os que moram sozinhos em 2025 (54,9%). Na perspectiva individual, relatos apontam vantagens de autonomia, mas também custo elevado. Uma entrevistada que optou pela moradia solo relata que aluguel, condomínio e demais despesas consomem mais de 30% do orçamento, forçando opções e cortes no consumo.

Além do retrato social, o crescimento dos lares unipessoais tem implicações políticas e econômicas claras: demanda por unidades menores e mais caras em áreas urbanas, pressão sobre o mercado de aluguel e sobre orçamentos familiares, e necessidade de ajustar políticas públicas de habitação, transporte e assistência para uma população que envelhece e vive mais em domicílios isolados. O dado da Pnad funciona como sinal de alerta para gestores: mudanças demográficas exigem respostas práticas na oferta e no financiamento de moradia e serviços.