Convidado do Sesc-SP para debates ligados ao Dia Mundial do Lazer, o pesquisador sul-africano Makhaya Malema defendeu em São Paulo que o lazer deixe de ser tratado como detalhe cultural ou privilégio de quem pode pagar. Para ele, a experiência concreta de bem-estar exige que a atividade de tempo livre seja reconhecida como direito fundamental ao lado de saúde, educação e moradia.
Malema alerta que o simples aumento do tempo livre — pauta hoje presente no debate sobre redução da jornada — não resolve desigualdades se não houver políticas que informem, formem e ofereçam espaços adequados. A chamada educação para o lazer, segundo o pesquisador, é necessária para que pessoas saibam das possibilidades existentes e desenvolvam habilidades que tornem esse tempo realmente benéfico.
A discussão ganha contornos práticos: sem investimento em infraestrutura acessível e sem planejamento voltado a pessoas com deficiência, idosos e jovens vulneráveis, a expansão do tempo livre pode ampliar exclusões. O pesquisador lembra também a migração do lazer para o ambiente digital durante a pandemia; a presença maior de telas não precisa ser vista só como perda, mas como oportunidade para inserir tecnologias que estimulem práticas mais ativas e inclusivas.
Da perspectiva de políticas públicas, a proposta de Malema implica ajustes orçamentários e de planejamento urbano e social. Tratar o lazer como prioridade toca diretamente indicadores de saúde mental e bem-estar e exige que gestores integrem a pauta a programas de inclusão, cultura e esporte — caso contrário, o discurso sobre mais tempo para a vida corre o risco de não se traduzir em melhorias concretas para quem mais precisa.