O Painel da Rouanet, elaborado pela Prosas com base na transparência ativa do Ministério da Cultura, atualizou os números até 2025 e confirma uma expansão significativa do mecanismo de fomento: a captação subiu 59,2% em quatro anos, alcançando R$ 3,4 bilhões. O dado reforça a relevância da Lei Rouanet como principal instrumento de apoio à cultura, mas traz também pistas sobre onde o programa ainda patina.

Além do salto em valores, o painel mostra crescimento no conjunto de agentes envolvidos: doadores pessoa física passaram de cerca de 10,5 mil para 13,4 mil (alta de 27,8%), enquanto pessoas jurídicas apoiadoras subiram de 3,8 mil para quase 6,3 mil — um aumento de 67%. Do lado da produção, o número de proponentes beneficiados mais que dobrou — de 1.924 em 2021 para mais de 4.000 em 2025 —, e houve ganhos claros na distribuição regional dos recursos.

A descentralização é um dos pontos positivos: a fatia destinada ao Sudeste caiu de 78% para 72,1% no período, com captações crescentes no Centro-Oeste (+155%), Nordeste (+172%) e Norte (+223%). Ainda assim, o quadro não é homogêneo. A concentração segue elevada e, alarmante para quem busca ampliar a base de apoio, apenas 2,5% das mais de 250 mil empresas tributadas pelo lucro real destinaram recursos via Rouanet em 2025. Além disso, entre 2024 e 2025 houve um discreto recuo na tendência de redução da concentração regional, um sinal que acende alerta para gestores culturais.

Os dados abrem caminho para debate técnico: há espaço para políticas que incentivem maior adesão corporativa e para aprimorar a avaliação de resultados dos projetos apoiados. Seria um erro tratar a Rouanet apenas em chave ideológica; os números indicam tanto progresso quanto gargalos concretos. O desafio agora é transformar essa base de dados em políticas públicas mais eficazes e em maior transparência sobre o impacto cultural e social dos investimentos.