Centenas de deslocados começaram a retornar, nesta sexta-feira, a cidades e bairros do sul do Líbano que ficaram em grande parte destruídos após semanas de combates. O retorno, marcado por cenas de destruição e retirada de pertences, ocorre sob a sombra de um cessar‑fogo que autoridades locais e militares descrevem como frágil: horas após sua vigência, o Exército libanês registrou supostos descumprimentos e pediu cautela aos civis.

Do lado político, a trégua ganhou contornos contraditórios. Em postagem nas redes sociais, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou ter proibido novos bombardeios israelenses sobre o vizinho — postura que reduz o espaço operacional de Tel Aviv, ao menos temporariamente. Em contraste, o primeiro‑ministro israelense, Binyamin Netanyahu, disse publicamente que a operação “não terminou”, citando planos para neutralizar remanescentes da ameaça de foguetes e drones.

Autoridades libanesas, incluindo o presidente Joseph Aoun, ressaltaram que o país não cederá território nem comprometerá direitos nacionais, enquanto o Exército local aconselhou a população a adiar retornos a áreas fronteiriças. O saldo humano do conflito já é pesado: o governo libanês informou mais de 2.200 mortos e cerca de 1,2 milhão de deslocados. Relatos de moradores — que descrevem cidades bombardeadas e pontes danificadas, algumas reparadas em caráter emergencial — ilustram a dimensão da crise humanitária.

O episódio expõe duas consequências políticas imediatas: a intervenção pública dos EUA limita ações militares israelenses e aumenta a pressão sobre Netanyahu para articular uma saída política sem eliminar totalmente as capacidades do Hezbollah; e, no Líbano, a fragilidade do acordo deixa em aberto a reconstrução e a segurança das comunidades. O cenário, portanto, não garante estabilidade: violações, demandas por zonas de segurança e a necessidade de um acordo de longo prazo colocam em xeque a durabilidade da trégua e agravam o custo humano e diplomático da guerra.