Luiz Gonzaga de Carvalho, nascido em Timbaúba (PE) em 1923 e radicado em Belém desde os dois anos de idade, morreu em 2 de abril de 2026, aos 102 anos, após ser internado para a realização de um procedimento médico. A trajetória dele se confunde com a história urbana da capital paraense: conhecedor das famílias tradicionais e das transformações econômicas da cidade, Gonzaga tornou-se referência local pela memória que preservou e transmitiu.
Filho de professora e de um caixeiro‑viajante, a família mudou‑se para Belém ainda em infância. A oportunidade de estudo que permitiu a ascensão da mãe teve papel central em sua formação, segundo familiares. Raquel Ornelas, neta, recorda que o apreço pela educação e pela leitura marcou toda a vida de Gonzaga, que devorava jornais, livros e até rótulos para entender o mundo ao redor.
Profissionalmente, construiu carreira no Banco da Amazônia, onde entrou como contínuo, passou em concursos internos e chegou a exercer funções de chefia, trabalhando anos como escriturário e no serviço de pessoal. A estabilidade no banco foi decisiva para a conquista da moradia própria: o apartamento onde viveu por décadas foi adquirido graças ao emprego. Aposentou‑se aos 48 anos por opção financeira, mas manteve laços afetivos fortes com colegas, frequentando o ambiente de trabalho por anos.
Homem de hábitos urbanos, apreciava o Círio de Nazaré visto da janela de casa e consumia açaí diariamente. Dirigiu até os 90 anos e viveu sozinho após a morte da esposa até quase completar um século. Não teve registro de doenças crônicas ao longo da vida. Deixa as filhas Regina, Renilde e Rosane, sete netos e sete bisnetos. Sua morte representa a perda de uma voz que ajudava a contar a história de Belém e a conectar gerações às memórias da cidade.