Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 35% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Com margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, o resultado configura o cenário de primeiro turno mais apertado entre as eleições que Lula venceu — uma folga substancialmente menor do que a registrada em 2002, 2006 e mesmo em 2022.

O contraste com ciclos anteriores é claro nos dados históricos: em 9 de abril de 2002 Lula tinha vantagem de dez pontos sobre José Serra; em junho de 2006 a diferença chegava a 17 pontos frente a Geraldo Alckmin; e em maio de 2022 o petista alcançava 48% contra 27% de Jair Bolsonaro. Hoje, portanto, a vantagem se reduziu a alguns pontos, dentro de um quadro de maior competitividade política.

Especialistas citados pela reportagem atribuem a menor margem a fatores combinados: polarização mais imediata, uma oposição mais consolidada desde fases iniciais da disputa e desgaste do governo que se reflete em dificuldade de reconectar com parcelas do eleitorado além da base petista. O cientista político Elias Tavares resume que a perda de folga obriga o pré-candidato a disputar o voto 'o tempo inteiro, sem margem para erro'. A dinâmica também favorece estratégias de voto útil, que tendem a pesar tanto no desenho do primeiro turno quanto na projeção para um eventual segundo turno.

Além do recuo nas intenções, a pesquisa mostra rejeição semelhante entre os dois principais nomes: 48% para Lula e 46% para Flávio. A comparação com 2022, quando a rejeição do petista ficou entre 33% e 40% enquanto a de Jair Bolsonaro oscilava entre 51% e 55%, evidencia uma deterioração relativa da imagem do atual presidente. Em termos práticos, o quadro reduz o espaço de manobra político e eleitoral do governo, exige reação estratégica — seja por meio de articulação com aliados, seja por medidas que tenham impacto perceptível no cotidiano do eleitor — e deixa a campanha em situação mais vulnerável a oscilações e a ações bem-sucedidas da oposição.