O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quarta-feira liberação de R$ 20 bilhões do Fundo Social para programas de habitação, numa cerimônia no Palácio do Planalto que teve ministros e representantes da construção civil. Ao mesmo tempo, o governo ampliou o programa Reforma Casa Brasil, que subsidia obras em residências.
As mudanças anunciadas pelo novo ministro das Cidades, Vladimir Lima, elevam a faixa de renda elegível no programa de reformas de R$ 9.600 para R$ 13.000 e aumentam o teto de crédito de R$ 30 mil para R$ 50 mil. O governo também reduziu o limite de juros cobrados de 1,95% para 0,99% ao mês e esticou o prazo de amortização de 60 para 72 meses.
O gesto ocorre em ano eleitoral e com Lula buscando recuperar fôlego nas pesquisas: levantamento do Datafolha divulgado na semana passada apontou empate técnico com Flávio Bolsonaro para um eventual segundo turno. No evento, o presidente criticou o patamar dos juros e sugeriu pressão sobre o Banco Central, afirmando que vai procurar o presidente da autoridade monetária ao retorno de viagem.
Na prática, a medida mira a classe média e o setor da construção — importante gerador de empregos — e tenta reduzir entraves causados pelos juros e pela escassez de recursos da poupança. Mas a iniciativa também levanta perguntas sobre o custo fiscal, o uso do Fundo Social e a eficácia diante de juros altos e crédito limitado. Politicamente, é um movimento para recompor apoio, porém sujeito à resposta do mercado e ao escrutínio sobre sustentabilidade das medidas.