O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou uma viagem de cinco dias pela Europa com agenda intensa em Barcelona. Recebido pelo primeiro‑ministro Pedro Sánchez, o governo brasileiro assinou 15 acordos de cooperação nas áreas de minerais críticos, assuntos consulares, economia social, cultura, ciência e tecnologia, igualdade de gênero e racial, e adaptação às mudanças climáticas. A comitiva inclui 11 ministros e dirigentes de instituições públicas, além de encontros previstos com empresários locais.

Em conjunto com a Espanha, os países participantes divulgaram uma declaração que rejeita o unilateralismo e o recurso à força contra a independência dos Estados, enfatizando a centralidade das Nações Unidas. O documento também afirma que chegou a hora de um latino‑americano ocupar a Secretaria‑Geral da ONU — e um dos objetivos declarados do Brasil na viagem é obter apoios para Michelle Bachelet na disputa de 2027. Ao mesmo tempo, Lula declarou em entrevista que a própria ONU está enfraquecida, acusando países fundadores de não cumprirem decisões da organização, discurso que coloca em foco uma contradição diplomática entre crítica institucional e busca de influência.

Neste sábado ocorre, em Barcelona, o quarto encontro do chamado Fórum Democracia para Sempre, criado no ano passado por Lula e Sánchez para articular lideranças progressistas diante do avanço de forças de direita. A lista de presença inclui presidentes e comandantes políticos como Claudia Sheinbaum, Gustavo Petro, Yamandú Orsi e Cyril Ramaphosa, além de representantes europeus, como os vice‑premiês Lars Klingbeil e David Lammy. O foco do encontro está em multilateralismo, desigualdades e combate à desinformação, e a reunião servirá também para medir a capacidade do campo progressista de se reorganizar no cenário global.

Após a Espanha, a agenda leva Lula à Alemanha para participar da Feira Industrial de Hannover e depois a Portugal, com encontros em Lisboa com o primeiro‑ministro Luís Montenegro e o presidente António José Seguro; o retorno ao Brasil está previsto para terça‑feira, dia 21. A viagem tenta conciliar uma frente econômica — em momento que Mercosul e União Europeia caminham para entrada provisória do acordo de livre comércio em 1º de maio, após 26 anos de negociação — com uma agenda política internacional. Resta ao governo traduzir os acordos e costuras diplomáticas em resultados concretos, sob risco de desgaste caso as promessas multilaterais não se convertam em ganhos tangíveis para o país.