O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 80 anos, deixou de comparecer a três compromissos nos últimos dias após submeter-se na sexta-feira (24) a um procedimento para remoção de uma lesão no couro cabeludo diagnosticada como carcinoma basocelular. Segundo a agenda, ele não esteve no congresso do PT no domingo (26) e, na segunda (27), deixou de discursar por videoconferência em duas cerimônias — uma sobre agricultura familiar em Andradina (SP) e a inauguração de um centro de radioterapia em Presidente Prudente (SP). A assessoria do Planalto informou que as falhas nas falas por vídeo ocorreram por problemas técnicos.
Pessoas próximas ao presidente relataram preocupação com cuidados na recuperação, citando o risco de apoiadores tocarem o curativo em atos presenciais. Além deste procedimento recente, o histórico de saúde do chefe do Executivo inclui tratamento de câncer de laringe em 2011, cirurgia de emergência para hemorragia intracraniana em dezembro de 2024, operação de catarata em janeiro e outros procedimentos ortopédicos ao longo do mandato. O contexto reforça a sensibilidade do tema em ano eleitoral, com Lula candidato à reeleição em outubro.
Do ponto de vista político, ausências e cancelamentos repetidos complicam a narrativa oficial de vitalidade e podem abrir espaço para questionamentos sobre capacidade física, especialmente em um cenário de disputa. Aliados destacam sinais de vigor do presidente em rotinas públicas e reuniões internas, mas a combinação de episódios médicos e episódios de agenda traz a necessidade de controle mais rigoroso da comunicação e da logística dos compromissos — tanto para evitar desconfortos físicos quanto para mitigar custos políticos imediatos. O Planalto não detalhou alterações permanentes na agenda.