O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar, em discurso no Fórum Democracia Sempre, em Barcelona, o peso das guerras sobre as populações mais vulneráveis. Ao apontar que conflitos elevam preços de alimentos e combustíveis, Lula questionou se os pobres devem arcar com o custo de decisões geopolíticas e pediu prioridade ao multilateralismo.

No pronunciamento, o presidente lembrou indicadores sociais e humanitários — fome, analfabetismo e vítimas da pandemia — para sustentar que o mundo não comporta novas frentes de violência. Lula afirmou que hoje há mais conflitos armados em curso desde a Segunda Guerra Mundial e cobrou que o secretário-geral da ONU convoque reuniões extraordinárias para discutir soluções, mesmo se os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança não concordarem.

O presidente também criticou intervenções como as de Ucrânia, Gaza e tensões entre EUA e Irã, além de apontar o papel desestabilizador das plataformas digitais na difusão de mentiras e na interferência eleitoral. Para Lula, a agenda deve incluir normas globais sobre redes sociais e regras claras entre países para proteger soberania e processo eleitoral.

A fala em Barcelona integra viagem europeia que segue à Alemanha, para a Hannover Messe, e termina em Portugal, com visita de Estado. Politicamente, o discurso reforça a aposta do Planalto no protagonismo diplomático e coloca pressão sobre a ONU e as potências para propor alternativas coordenadas diante do impacto econômico e social das guerras.