A live do presidente Lula ao lado do deputado André Janones teve tom de mobilização e resposta: marcada para as 19h — mesmo horário das lives semanais de Flávio Bolsonaro — a transmissão entrou no ar com atraso, alcançou mais de 2 milhões de visualizações e veio pouco depois da divulgação do Datafolha que apontou empate técnico entre os dois, com 50% dos votos válidos para cada um. Janones usou o espaço para chamar com urgência o chamado "Exército do Lula", canal que reúne milhões de seguidores.
No encontro, Lula comemorou o resultado e intensificou a ofensiva contra Flávio. Citou a atuação do senador como advogado ligado a um policial acusado em caso que resultou na morte de uma criança e questionou a escolha de eleitores por candidaturas que, na sua narrativa, estariam associadas à violência e às milícias. O presidente também tentou neutralizar críticas internas e externas, conclamando apoiadores a manter o foco nos dois dias finais de campanha.
A transmissão misturou política e espetáculo: participaram artistas como Jão, Marieta Severo, Camila Pitanga, Leandra Leal, o apresentador Serginho Groisman e a influenciadora Nath Finanças, que recebeu convite para colaborar em propostas de finanças populares. Lula defendeu maior regulação das plataformas digitais e disse que é preciso reinventar o atual poder das grandes empresas de tecnologia, além de estimular militantes a usar celulares para a mobilização.
Politicamente, a iniciativa tem efeito duplo: a escolha do horário funcionou como contra-programação direta ao rival e busca concentrar narrativa na reta final, enquanto o empate do Datafolha eleva a pressão sobre ambos os campos. A presença de artistas visa mobilizar setores culturais e eleitorado jovem; por outro lado, a ênfase em acusações e na batalha digital pode intensificar litígios sobre desinformação e aprofundar a polarização nos dias decisivos.