Na abertura da Feira Industrial de Hannover, em que o Brasil é país homenageado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve levar à mesa um pedido diretamente ligado à agenda ambiental: ampliar a contribuição da Alemanha ao Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). Organizações como WWF Alemanha e Germanwatch publicaram carta exigindo que Berlim eleve o aporte anunciado de €1 bilhão para cerca de €3 bilhões.
O diagnóstico das entidades é político e financeiro: a cifra divulgada por Berlim foi considerada insuficiente frente à responsabilidade internacional e às ambições do mecanismo idealizado pelo Brasil na COP30. Participantes de reuniões do TFFF em Washington dizem que o tema tem grande probabilidade de ser tratado entre Lula e o primeiro‑ministro Friedrich Merz durante a visita.
O TFFF já reuniu US$ 6,7 bilhões de vários doadores — incluindo Noruega, França, Brasil e Indonésia — e está abrigado no Banco Mundial. O Ministério da Fazenda projeta necessidade de US$ 10 bilhões em recursos públicos ainda neste ano para fazer o instrumento funcionar de forma operacional; um aumento alemão na casa requerida pelas ONGs supriria parcela substancial dessa meta.
O desenho do fundo prevê retorno financeiro aos investidores, pagamentos por hectare preservado e participação de comunidades tradicionais, que receberiam 20% dos recursos, além da ambição final de chegar a US$ 125 bilhões, com US$ 25 bilhões públicos. Para governos parceiros, a oferta alemã também tem dimensão simbólica: Berlim anunciou inicialmente um “montante significativo” e, após negociações internas na coalizão liderada por Merz, formalizou €1 bilhão.
Além do cálculo técnico, há custo político. A pressão internacional chega num momento em que lembranças de episódios polêmicos do premiê — como comentários sobre Belém que repercutiram na imprensa alemã — ainda fazem parte do cenário. Para o Brasil, uma ampliação facilitará a consolidação do TFFF neste ano; para Merz, a decisão será teste de credibilidade em clima de negociações domésticas e de imagem internacional.